quarta-feira, julho 25, 2007

Sexta passada

Partimos em momentos diferentes, cada qual com sua viagem mas sempre juntos. Uma longa jornada de poros abertos que viriam a transbordar no final da noite. Um começo da euforia dos fins de semana. Buscávamos ser surpreendidos. O calor da música suava em tons coloridos e as luzes ajudavam. Todos comungávamos num grito estridente libertos do cotidiano. Maravilhas em sorrisos e todos os pensamentos eram naturais.
Gente em caldeirão buscava encontro ou perdição na penumbra e eu era membro dessa sociedade secreta. Só alegria em canções que lembravam bons momentos coletivos. O mundo amplificado nos 6 sentidos. Foi pelo sexto que a roda girou e o que era bom se tornou tormento (pois necessário ao cumprimento do ciclo) (mas não quero falar disso agora).
Todas as coisas se despiam e se revelavam. Eu tinha que ser forte. Era um prazer suportar a verdade em sua forma bruta. Acabara de receber uma missão de vida. Para sempre, se eu lembrar amanhã.

segunda-feira, julho 16, 2007

Bem

Tenho um projeto.

Quando comparo matematicamente sei que não cabe em nenhum lugar. Decido mil vezes que não me toque em pensamento, pra sempre . Fujo por trilhas cheias de desejos jibóias. Continuo correndo cheia de fôlego e sei que posso. Me encantam as cores do mundo.

Já atravessei um vale de lágrimas com uma canoa indígena e cheguei numa tribo sem tristeza vã. Piso em grama fofa e esqueço. Fecho os olhos e tu se tornas desnecessário como aquilo que nunca provei. Ponho a língua pra fora e recebo em festa as gotas de chuva límpidas e saborosas.

Já vaguei por esse círculo por muito tempo e devo sair pela tangente urgente.

Tenho um projeto.

quinta-feira, julho 12, 2007

(entre paredes)

Me venderia por 1,99 se me chamasse com ternura
Gosto do amor que brota da cachaça
Abro os braços e espero um pouco de momento
Semente brota quanto menos se sente

Me venderia por uma semente
Abro os braços pro momento, amor
Sente a cachaça, ternura
Gosto que me chame, broto

Desapareço assim que o sol
Não reconheço a luz do dia
Encanta eu que suma só
sou ali só feliz

Dias de sol eu brumo
Desaparece o sumo
Encanta só
1,99

domingo, junho 24, 2007

Come as you are

Nos encontramos um pouco mais velhos mas ainda jovens. A primeira consciência de que o tempo passa rápido demais e assusta saber que alguns de nós engravidaram, casaram, viraram repórter ou cantam funk. 10 anos se foram num susto e num telefone sem fio nossos sonhos viraram outras coisas.

terça-feira, junho 12, 2007

Especial para o dia dos namorados

Canto o amor em palavras doces que não me cabem na boca. Sinto que essa nobre palavra não foi feita para minha garganta vermelha e tão cheia de vida. A cada nova promessa me engano por cada vez menos tempo. Não sofro tanto mas também não me arrebato de felicidade que tem se provado tolice. Existem muitos tipos de amor e sei que me amam, mas eu e mais alguns no mundo cismamos em ter essa mania já tão celebrada de gostar de quem não me gosta. Agora não amo ninguém e sofro talvez por amar demais e o amor não encontrar objeto que não a própria vida. Gostaria de poder abraçar sinceramente e sem medo, mas o tempo me provou que é melhor ter cautela. Já cansada de oferecer meu amor em farto tabuleiro de quitutes e assistir banquete. Cansei de ser comida.

terça-feira, junho 05, 2007

Laranjeiras, graças a Deus

Essa crise não estava prevista no horóscopo talvez apenas inferno astral chegando tarde ai que tolice acreditar nessas coisas. Lembro-me das moléculas que se partiam em átomos que por sua vez se arrumavam formando outra coisa, melhor, talvez, ou não. Talvez explosivo, quem sabe mineral plácido. Espero que depois da bagunça e depois de tirar tudo do armário as coisas fiquem mais brilhantes. Talvez tenha medo de mostrar o que tem lá dentro, mas ninguém pode saber. Quanta besteira se faz na vida e quanta besteira se faz rir quando passa o tempo de escola fica tão bonito. Já me esqueci das espinhas e só lembro de gargalhadas fáceis ou do sexo furtado. O sinal do recreio era os sinos da alegria e da certeza de que haveria sorvete sem engordar. Segredos imprevisíveis como essa crise tão boba que parece ter passado e que só cisma de voltar em horas inconvenientes. Escrevo por não ter começo meio e fim e por ter preguiça, o tão abençoado pecado, dos 7 o mais perdoável, tenho certeza.
Másculo como o senhor tempo vem o relógio e apita certeiro na hora de acordar, sem nenhuma pena do pobre que foi dormir tarde por gostar de esbórnia, e que mal isso tem? Quem não fica até mais tarde é porque não tem coragem ou conhece a ressaca bem demais para ser tão tolo. As músicas não passam, disso eu tenho certeza que ficarão eternas em bytes. Talvez esquecidas mas certamente eternas.
Encontros nunca são perfeitos mas por isso mesmo são. Dois corpos fazem atrito e nem sempre é ruim. A gaita me avisa que há uma estrada longa na frente, como Thelma e Louise no começo do filme.
Poderia escrever até acabar a tinta mas o laptop está ligado na tomada. Hoje há tantos caminhos e é gostoso rolar por todos, numa grama de um verde azulado lindo num por do sol num mar de aquarela. Sinto que vem mais por aí. Tomara.

segunda-feira, maio 28, 2007

Psychologies

Acredito que as leis da física podem ser aplicadas aos sentimentos. Sou um corpo pleno que não transborda sem gritar, nem na hora do gol.
A energia tem de se transformar em algo, sempre foi essa a sua razão de existir. Somos como o mundo, um cirtuito fechado com alguns curtos.
Cada artista com sua força-vetor recebe milhões de flechadas diariamente. Que as feridas fiquem sempre abertas.

Moi

Você é a melhor coisa que você pode ser.

Viagem

Cada segundo é uma forma de se preparar para o que vem. Apesar das cicatrizes sempre haverá uma estrela nova para ferir ou curar. Imagens que alimentam os olhos de novas estréias.
Se já embarcaste nesta nave tão louca que alguns chamam de vida, guarde seus pertences e não esqueça de puxar assunto com o passageiro ao lado.
A próxima estação será sempre a esperança e a terminal, bem, é melhor esquecê-la.

segunda-feira, abril 16, 2007

Hiato

Os sentimentos rolam soltos no rio
Sei falar dos que ficam presos às margens
Sei que a memória é um pátio de milagres
e a distância um molho apimentado

Te desejo na cidade maravilhosa seria eu
a encostar meus lábios nos teus
devagar sem a urgência de sempre

Urgente é escrever antes que tu passes por mim

sábado, abril 14, 2007

Medusa

Há duas maneiras de se esconder. Ou vou para um lugar onde não haja e ninguém ou sumo no meio da multidão. Silêncio.
Se eu não fosse resultado dos meus desejos trombando com o que a vida me oferece, então nada seria. Metade.
O mundo é uma imensa loteria que se deixa manipular os números e eu estava com sorte. Coringa.
A felicidade passa por conhecer pelas mãos e aceitar que os espinhos machucam enquanto protegem a flor. Verdade.
Esconder é perder-se de si. Inteiro.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Oxigênio

Quando não souber o que fazer apenas respire.

domingo, janeiro 14, 2007

Yin yang

Nada é completo, só a morte. Vivemos num e se fosse como seria talvez melhor para deixar desejo de completar a lacuna. Nenhum sentimento vem puro. Quando se acha que está farta aparece a fome pequenina até virar leão. Os medos precedem as vitórias de quem não imaginava levantar troféu. Às vezes a coragem leva ao tombo e vice-versa.
Quem olha o sol nascer todo dia sabe que o círculo não fecha enquanto se respira. Milhares de vidas pulsam em tragédias e prazeres. Repara que as ondas vão e vem o sol nasce e morre e o pêndulo se move enquanto oscila entre os dois lados. Repara que a vida não pode ser só tristeza, e que chove e dá praia. As lágrimas limpam os olhos que cansam de sofrer e resolver rir da vida roda gigante. Até a terra gira em torno do sol, e só Deus sabe em torno de que o sol gira. É necessário que ninguém saiba porque um pouco de mistério é a pimenta do mundo.
Eu não vi tudo, muito menos você.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Facada giratória

A dor agora era contida, a boca travava e os olhos hidratavam. Histeria e lágrimas tempestade haviam ficado para trás. Parecia que assistia ao mundo um degrauzinho acima. Era uma evolução. Era bom e era péssimo.
Sentia em meu corpo tremores de doença física que eu sabia que vinham de ti. Me derrubaste por não pegar em minha mão quando eu caía.
O amor havia de ser próprio antes de tudo. O amor próprio anulava um amor tão grande e tão esperado que acabou por morrer na praia. Nenhuma distancia física é capaz de me afastar de ti como as não palavras. Não sei o que pensas, só sei que o que teu pensamento não faz de ti boa coisa. A raiva é o mundo que gira sem se dar conta de nós.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Engasgo

Ontem eu tocava meu sorriso sem pensar que tudo ia acabar assim que estivesse feito. Sonho partido por leve rancor que trava qualquer mão estendida. Amarro as mãos com arame farpado pra nem correr o risco.
Hoje descobri que a paixão não pode ser boa

terça-feira, janeiro 02, 2007

Suspiro

Um coração intransitável dizia que era hora de partir. Vivia na corda bamba entre o casco e a geléia. Molhava os dedos nas paixões enquanto tentava raciocinar e proteger o corpo com os mãos. Era concreto meio frouxo.
O ano começava e nem parecia. Esperava notícias e tentava controlar a ansiedade de garota.
A mulher estava engolindo a menina, cada vez mais. Sabia que o mundo era uma constante tensão entre a pureza e a malandragem. E ela não era nem uma coisa nem outra.
Os fogos pipocavam no ar e desabrochavam formas iguais às do ano passado.

sábado, dezembro 09, 2006

Amor

O contraste do fim do mundo é o contrario de sentir na pele cada gota correndo fácil ao ponto que evapora e o momento passou. Cada olhar será guardado na memória, ou não. A música bateria mais forte se eu fosse ouvido, mas ainda bem que todos os sentidos apurados celebram. Mentiras que inventamos para poder conversar. A realidade nua e crua não flui.
Moldados ao molde da sorte, grande seria se achasse amor eterno nos olhos fugazes e talvez até já tenha passado.
Melhor seria se o mundo fizesse carinho na medida certa e os momentos de choro não se confundissem tanto com os de suor. Metades são muitas, gana dividida.
Só sei que sei pouco mas gosto muito.

domingo, novembro 26, 2006

Mãos

Dispenso os galanteios do destino. Seguro as rédeas com tanta força que chega a sangrar. Olho atenta cada curva, sempre à frente. Desisti do barco na correnteza nem sempre amiga. Remar me cansa os braços, mas é necessário para me tornar humana.
Somos a raça do exagero, do drama e do amor. Somos diferentes do resto e no entanto o instinto sobrevive. Tenho que dominar o cavalo que deseja correr livre fogoso.
Não posso admitir que eu, humaníssima, serei controlada pelo meu animal . Há que se adestrá-lo. Matá-lo, nunca.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Vida

Cada momento um sentimento ocorre mais ou menos intenso. Ainda agora eu estava a sorrir e sentir a música. Dançava e cantava.
Num súbito o mundo escureceu e o sol mergulhou nas profundezas. Caí. Estou aqui agora num sentimento médio tentando lidar com as coisas.
A razão é salvadora do sofrimento. Só ela está lá precisa e matemática. Ela é constante, movimento uniforme que não pulsa. Apesar de tão sem graça ela faz coisas incríveis. Preciso recorrer mais à ela.
Sou um rio que corre direto sem pedir licença. Atropelo as pedras que insistem em mudar o rumo. As vezes empoço e odeio quando isso acontece.
Desembesto sem arreio e nem sempre é bom. Mas quando é, ninguém segura.
Sábio é o vira-lata, que desconfia até quando lhe oferecem comida. Sábia é a criança, eternamente buscando o doce.

Solidão

Sem poesias e palavras doces. Nada. Acabou. Ela não suportava mais abrir concessões e estava tomada por um amor próprio que doía de abrir mão. Ela olhava a cena e sentia um desgosto de ter sentido amor.
O sangue que rola ficou turvo e o peito fechou. Fechou de ódio e de uma auto piedade que a fez buscar o silêncio. As distrações que buscou findaram logo.
O barulho do ar condicionado era constante e o quarto estava sozinho. Sozinha era a lembrança de sempre, por mais que houvesse pessoas durante todo esse tempo. A ilusão da companhia havia acabado. Ela odiava com força mas isso não tornava as coisas mais fáceis.
O sentimento de perda doía mas ela havia feito escolha. Pensava em si mas a confusão espalhava na sua cabeça.
Doía uma dor suave. Não era nada demais, mas ver uma possível estrela fugir dessa forma, por escolha dela mesma, ou talvez por não entender como se faz um coração, doía.
Logo ela desejada desejava o objeto errado. Ela e a humanidade, que havia descoberto gostar do descaso. Tinha cansado de brincar de caça ao tesouro.