sábado, janeiro 19, 2013

Sem morrer na praia

Será que um dia chegarei ao extremo? A tudo mais que não é hoje? Uma coisa é pensar e andar a pé, outra é saber que chegou. Quando andei andei andei terras a vista estavam longe mas estava feliz de estar andando, mas agora parece que puxo pesado. As terras seriam possíveis? No mar eu bóio, eu nado, me debato, afundo um pouco e volto.

sexta-feira, abril 20, 2012

O erro

Errar é cair de bicicleta quando se anda com pressa de chegar e não olha muito ao redor. Encantei-me com a paisagem e corri do certo, prestando atenção na rotina desatinada que saía de mim como suor, e expulsava o banal das minhas veias. Montava meu cavalo de rodas pulsantes, conforme dizia a poetisa, que quando tocavam o chão e aí estava o presente. Mostrava a todo mundo que podia mas na verdade não tinha nada pra dizer e queria impressionar por estampa bonita. Jaz me eu aqui frita, de modo a dizer adeus a um negócio que não chegou nem a se instalar direito. Joguei fora tudo que um dia pensei poder e me senti leve. Leve e triste.

quarta-feira, julho 15, 2009

Buenos Aires

Não há nada que seja doído vendo o progresso do momento triste. O triste dói o parto do alegre que cresce e se transforma em felicidade que sacaneia e me abandona.
É mesmo um círculo que gira gira gira passa pela noite e o dia sempre teima em nascer, até que a morte nos separe. Sorrio quando acostumo com esse movimento previsível para o cérebro. O coração, esse burro, esse se surpreende com a mesma história, sempre.
Menti quando passei do ponto de ser eu mesma e quis inventar uma pessoa mais legal do que eu. Talvez essa coisa de razão e emoção serem coisas distintas seja uma babaquice....pára e pensa!



terça-feira, março 03, 2009

Roda Gigante

Uma felicidade e uma tristeza imensa. Uma não melhora nem piora a outra. Dois sentimentos distintos que não se mancham.
Acabo de levar um soco na cara no meio da rua. Um soco grande, daqueles de mão fechada. Acabo de ser levantada ao alto por mãos inesperadas. Acabo de chorar e acabo de sorrir.
O sangue que corre nas veias tem pressa. A vida corre solta por aí e ninguém segura.
Tenho raiva, orgulho, morte, desejo, vingança, felicidade, amargura, tudo. Tudo embolado na garganta de um grito que não vai vir.
Amo saber que existem os vícios que servem pra consolar e comemorar as derrotas e vitórias. Amo a miséria e o luxo. Não gosto da classe média. Sempre quis viver nessa montanha russa e consegui. Consegui arder em tudo, o morno é para ser vomitado, como já dizia a Bíblia.
A raiva de bater é a dor de apanhar. A felicidade não tem motivo nem origem. Ela brota.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Vida

Minha sina é nunca ter certeza de nada. Mas assim será sempre a vida, um mar de incertezas e nós tentando fazer um barco seguro. Viver é ferir e se machucar. Acalmar o outro que está pior. Sentir nada e sentir tudo. Sentir prazer sem culpa pois em seguida vem tristeza e em seguida vem prazer de novo. Amo isso tudo, eu sei. As calmarias e tempestades dão impressão de que não vão passar, mas a única coisa certa é que passarão. Amo o choro e o riso, mas amo mais o riso. Nenhum abrigo é totalmente abrigo e nem todo campo é realmente livre. Uma coisa mancha a outra o tempo todo como obra de arte. Nasci de novo todo dia, uns mais que outros. Quando penso que tudo acabou é que recomeça melhor.

domingo, janeiro 11, 2009

Dor

O telefone não toca quando se está perto. A ansiedade afugenta o desejo. Quanto mais aperta escorre. Poderia curtir cada coisa como ela realmente é mas não consigo. Uma névoa paira sobre o corpo impedindo que eu pense com clareza. Não me reconheço e meu cérebro tenta explicar o que devo fazer, tão simples e claro, mas não consigo ver além da névoa.
O rosto contrai de desespero inventado. Lágrimas que não deveriam estar ali.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Algodão

Veio tão macio que não doeu. Despertou coisas que estavam esquecidas como colares, brincos, academia. Pagou as contas cavalheiro e fez brotar um beijo que dei em mim mesma.
A certeza de que sempre me daria a mão. A certeza tranquila cega de aventuras. Um dia sem nuvens domingo na praia. Ele era um domingo na praia. Encanta como gosta de mim.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Tempo tempo tempo

Nunca é o suficiente, mania de desejos além do que quero.
Montante de tempo jogado fora. Esse tempo repousa em paz junto com os guarda-chuvas perdidos. Mania de contar a hora quando agora quero que não passe.
Mentiras que contamos para nós mesmos. Achamos que sempre vai dar.
Amiga maltrapilha a pressa. A pressa esquece. A pressa eleva a pressão. A pressa faz correr e quebrar o pé.
Espremo o tempo para que dê sumo.
Controlar o tempo é saber o quanto dura normalmente uma hora. Acaso venha durar mais é lucro. Se passa rápido, é prazer.
Manter o mundo girando é tarefa de Deus. Contar o tempo é problema do homem. Manter as mãos livres é importante o tempo todo. Amar demais gasta muito tempo. Mover o sol para detrás da terra é importante. Dormir é sarar o que não se consegue em vida. Amanhã eu resolvo.

domingo, junho 29, 2008

Feliz 3

Como ser campeão. Focar. Treinar muito só uma coisa. Esquecer o desejo de abraçar o mundo e abraçar uma causa, porque os braços têm o limite do tamanho. Gostar. Não desistir quando cansa é difícil. Determinação e todas aquelas coisas clichê. Ser feliz é criar problemas e ter sucesso em resolvê-los. Saber o que é é o primeiro passo. Certeza de nós nunca teremos.
Caminho um obstáculo e saber que é um obstáculo já é o primeiro passo. Sorrir quando ganha. Rir dos erros e cativar o público pois afinal eles também erram e até se identificam. Acostumar-se com os olhos, afinal é para eles que treinamos tanto. Achar o que eu tenho e que ninguém tem e não ter medo do estranho. Fascínio dos outros é troféu. Esquecer a ambição adolescente de que se é para mim me basta. Ninguém vive sozinho e é feliz.

terça-feira, junho 03, 2008

Feliz 2

Descobri! A causa da angústia é a percepção que apura mais do que deve. Estar feliz é não perceber além disso.

sexta-feira, abril 18, 2008

Póstumo

E morreu. Como ar destampado. Foi enterrado como indigente. Ninguém notou. Já era hora. Moribundo andou como não pôde. Pegou na mão do amor sempre misturado de morte iminente e esperança de cura.
Água foi evaporando e quando não se deu conta já não havia nem água nem sede. Remou sem força alguns quilômetros. Graças a Deus resolveu afogar sem contar para ninguém nem pedir ajuda. Chorei duas lágrimas secas pelo defunto. Ainda me dá uma discreta tristeza. Posso gritar: Já vai tarde.

sexta-feira, abril 04, 2008

A falta e o excesso

Escrevo em homenagem. Sempre em frente amando por vir. Falando mal do momento. Esperando que o acaso traga um prêmio de loteria. Enquanto isso a diversão, a falta e excesso são parecidos. Ter muito não se dá valor, parece que tem nada.
Saber que não vem consola a vontade de viver. Vontade de acertar e ser feliz que nunca chega.
Monto no cavalo e corro pruma linha que não chega ainda, finalmente vejo que não há fim.
Manejo a vida com o cuidado de me jogar sempre que for necessário. Quando mais cedo chega, pior. Abraço as oportunidades como filhos únicos. Nunca mais e é coisa que não se diz.

quarta-feira, março 26, 2008

Para desanuviar

Me contento em ser contente. Passará o tempo. Os dias corridos serão esquecidos. As costas doem de vez em quando. Tensiono quanto estou atenta. Tento ser sincera mas quando vejo já sou melodrama fingido. Mamei até os 3 meses. Cuspo bebida quando rio. Gosto de estar confortável e durmo. Mania de inventar moda. Macia é a pele nova.

Fiz de tudo para ser justo hoje. Chocolate para acalmar os ânimos. Bati a porta. Mandei um dedo.

Ja pesam pálpebras. Sinal que posso ir dormir.

quinta-feira, março 06, 2008

Ahn?

Escrevo porque é fácil. Tão pronto. Não há que se aprender arte alguma. Não é necessário fazer exercício incansáveis até tocar um bom violão nem aprender com maestria usar as tintas.
Simples. De repente um mundo novo mais uma vez. É sempre assim e sempre novo.
Com o passar dos anos as coisas não são tão primeiras. Sempre me emociono. Gostaria de contar mas não tenho coragem. Não sei o que quero contar. Não quero viver sempre com esse meio vômito entalado na garganta. É preciso parar de vez em quando. O mundo vive para entreter. As atividades te salvam de ti mesmo mas há certas atividades que costumamos chamar de arte que te trazem de volta para questões que importam. Não sei se importam tanto assim. Passeio pela importância de tudo e o conforto de nada querer como volta no quarteirão. Eu espero que me importe comigo porque sou egoísta.

segunda-feira, março 03, 2008

Navio

Momentos. Gosto muito do que estou fazendo e penso que é o melhor. Dura segundos. Talvez dias. Talvez o necessário para tornar-se real. Na maioria daz vezes não passa de idéia.

Agora mesmo pensava coisas incríveis que continuam iguais. Sou seduzida por vários, por isso não caso. Cada arte me dá o gosto apropriado para o momento. Tento conversar com os artistas mas assim que digo "oi" a vontade se vai. Eles continuam ali em ebulição constante. Fonte inesgotável.

Gosto de passear. Fujo do definitivo. Encantam me os viajantes. Gosto do olhar sedento. Gosto de casa para descansar.

O mar toca uma música. Ela é tão comum aos meus ouvidos que nem escuto. É casa.

Gosto das coisas comuns mas não me dou conta.

Amo quando saio.

Incrível é voltar.

Falta coragem para ficar.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Sempre viva

Não dá para ser mais feliz que isso. Jack I´m flying. I´m the king of the world. Quando tudo se encaixa numa equação perfeita de sonhos, flores, frutos, sons e realidade. Só sou feliz quando extingüo (com tremas porque sou tradicionalista) a culpa. Adoro viver sem ela.
Quando me soltei de tudo e peguei só o que vale. Aí fui e sou feliz.
Quando as notas musicais soam adoráveis e o ouvid faz piiiiiiiiiiii depois deter dançado muito numa pista à vontade (com crase).
Quando sei que mais dia menos dia estarei com quem adoro numa cidade que não conheço. Se esperar mais um pouco estarei em Paris com quem gosto muito.
Não há mais degraus para subir e isso assusta e alarga o sorriso. A música demora para começar e saboreio cada instante de sua introdução.
Até quem me fazia sofrer me traz felcidade agora. When I fall in love it will be forever, for I´ll never fall in love again.
Metade do que digo é loucura mas estado bom de dirigir o carro pela praia. A praia é tão cotidiana que me comove cada dia.
Me lembro de momentos tão bons quanto esse mas nada é tão bom quanto tudo ser bom.
Meus amigos são os melhores, minha família é a melhor, meus amores não sei, acho que ainda virão e estou feliz. Tudo pode ainda.
Tudo pode ainda aos 24.
Fico horas conversando contigo e sei que no final vamos para nossas casas mas sua pele me comove. Tanto que fico.
Fico para ir embora feliz da vida cantando música alto e recebendo vento no rosto em forma de carinho enquanto o rádio canta alto só para mim músicas que eu adoro.
Eu amo tudo isso.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Meu querido diário


  • Tudo o que eu queria era uma guitarra elétrica.

  • Pela primeira vez sinto que envelheci.

  • O tempo começou a contar contra a partir de 2007.

  • Yo yo yo yo.

  • Sempre vai existir um adolescente fanático.

  • Todos só querem ser aceitos. Até o ermitão faz isso para parecer hype e ser aceito.

  • Depois de 10 anos descubro que sou única e que, pasmem, não tem nada demais nisso.

  • Continuo gostando de música.

  • Continuo gostosa (mas algumas gorduras localizaram-se).

  • Cultivo a mania de largar as coisas quando estão ficando boas.

  • Gosto de fazer muitas coisas mas não sou gênio em nada.

  • Quero um jipe, mas não sei para quê.

  • Acho que só amei uma vez, o resto foi desejo.

  • Ah sim, descobri que as religiões servem para regular o desejo e assim a gente não morre nem de Aids nem de enfarto do miocárdio. Descobri isso hoje.

  • Tenho um pouco de TOC.

  • Troco direita e esquerda.

  • Tenho boas amizades.

  • Sou grande mas menor / pequena mas maior.

  • Ainda acho que vou mudar o mundo.


terça-feira, novembro 13, 2007

Feliz

Som louco in loco entrava pelo coração
Platéia pulsava eu estava
Amava o momento (perdia o centro)

Altamente adolescia doses pesadas de música (e álcool)
ao colega alcoolizado ofertava beijos e flores
O palco não era muito alto

Sou louco quando saio sem direção
Agarra-me a mão para não te perder, tá?
Hoje eu rio, amanhã agüento

Metodicamente te conduzia (ao carro)
Já ia acabar, bem sabia
Como tudo que é bom, transborda e esvazia

segunda-feira, outubro 01, 2007

Momento mágico (também conhecido como "caiu no papinho")

o tempo quer parar
olho em volta nesse instante
tudo parece feito de areia
liras coloridas
brilhos de cristais
são reais neste instante, são reais

risos, pontas dos dedos, a roupa cai no chão
perco todos os medos num dia de verão

não respondo por mim
não mais.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Musa

Se eu gostasse de ser feliz já o seria há muito tempo. Cismo em criar caminhos cheios de obstáculos para a felicidade quando ela não é nada mais que o sentimento de poder escolher. Com a idade esse potencial de ser qualquer coisa vira felicidade de lembrar e admirar o castelo construído. Mas aquela intensidade louca de deitar só imaginando o quão belo será o futuro é privilégio dos jovens que irão mudar o mundo. Das rugas do sábio brotam flores que já foram promessas.